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O afeto materno no desenvolvimento das crianças


O afeto materno no desenvolvimento da criança

 

A criança necessita vivenciar desde a fase inicial uma interação saudável com a mãe para sentir-se acolhida e tornar-se um adulto seguro, de mente saudável, equilibrada.

Quando esta relação mãe-filho é positiva, o resultado é um adulto bem sucedido e de bom convívio social. Para que o desenvolvimento ocorra dentro da normalidade, é necessário que a criança seja estimulada, pois o incentivo recebido na fase inicial da vida contribui para o seu desenvolvimento emocional, intelectual e social.

Para a correta estimulação do bebê ele necessita do contato físico e afetivo da mãe para ter um desenvolvimento saudável. Estes estímulos precisam ser recheados de amor, carinho e comunicação, pois o bebê assimila todas as atitudes da mãe no relacionamento. Pode se afirmar, portanto, que os resultados positivos na relação e o sucesso no desenvolvimento da criança dependem da qualidade dos estímulos que ela recebeu lá no início da vida.

As características da afetividade podem ser identificadas com a capacidade de experimentar sentimentos e emoções e, o afeto pode ser considerado como um sentimento de inclinação para alguém muito próximo (DANTAS, 1992). Em psicologia o afeto é um estado caracterizado uma parte por intervenção física e outra parte por perturbação peculiar do processo representativo e é fundamental para a constitnuição da criança (KEATING, 2000).

O desenvolvimento infantil é um processo repleto de conflitos, pois a criança em desenvolvimento terá que lidar com encontro e o desencontro que ocorrerá entre as suas atitudes e o ambiente em que vive e que é estruturado pela cultura, assim, o bebê cercado de afeto terá recursos para desenvolver-se de forma saudável e repassar, em outros estágios, os bons frutos da relação afetuosa recebida durante a infância (WALLON, 1971). Segundo o autor, a criança associará o carinho recebido através do toque ao ganho de recompensas, como os gestos, o olhar e a atenção.

O apego iniciao na infância, segundo Bowlby (1984) é uma disposição que busca a aproximação e o contato com uma figura específica visando estabelecer a segunraça de alguém. Esta necessidade nasce com o bebê e é importante que a mãe, ao ter conhecimento da existência da gravidez, comece a construir a relação de apego com o ser que está se formando, pois esse vínculo mãe-filho inicia-se na vida uterina como uma adaptação fundamental e com necessidades básicas a serem cumpridas (BOWLBY, 2002).

No desenvolvimento da criança, o apego entre mão e filho é de fundamental importância, pois essa proximidade, esse contato quando ocorre de forma positiva, passa confiança e segurança no relacionamento do bebê com a mãe e contribui para a formação de um adulto saudável (BOWLBY, 1984). O bebê que não vive a interação com a figura do apego é inseguro e não se sente amado, desejado por sua mãe e pode apresentar problemas de relacionamento, pois o apego recebido na infância reflete na vida adulta (MONTAGU, 1988).

A criança reage de acordo com a disponibilidade, receptividade e apoio da pessoa com a qual ela tem um contato próximo frequente, pois a interação gera na criança impacto ou negativo, até porque, o bebê percebe se a figura do apego é percebida como confiável, o resultado será de um desenvolvimento saudável, e sem o mecanismo do apego, a criança tende a se afastar dos adultos, não explora o mundo que o cerca, fica exposta ao perigos da vida (STERN, 1992). O apego modula o impulso exploratório fortalece a criança, dando-lhe condições para explorar o mundo com mais segurança ( BOWLBY, 1988).


Quando iniciar a construção do vínculo materno afetivo?

O desejo de todas as mães é que seus filhos nasçam emocionalmente e mentalmente saudáveis (STERN, 1992). Segundo Winnicott (2008) a construção da saúde emocional e psíquica do indivíduo inicia-se no período gestacional a partir do primeiro contato com sua mãe. Para o autor (2008) a boa ou má formação dos vínculos afetivos com a criança depende de uma dedicação constante e sem interrupção da mãe ou cuidador, pois a interrrupção pode gerar na criança o medo de separação e tal medo é acompanhado por imensa ansiedade.

O papel da mãe é o mais importante em função da relação criada com o bebê ainda no período gestacional, momento este em que a criança começa a distinguir as vozes dirigidas a ela e reasge fisiologicamente a este estímulo exerno chutando a barriga da mãe.

O bebê começa a ganhar vida, forma e percepção das coisas que o cercam ainda no ventre materno (STERN, 1992). Eis a importância de a mãe começar a transmitir sentimentos de afeto ainda no período gestacional, afeto este que não deve ser interrompido (WINNICOTT, 2005).

A mãe que tem uma gravidez tranquila e satisfeira passa para o bebê a percepção de um mundo perfeito e harmonioso, e a criança ao nascer por ter recebido o carinho afetuoso da mãe, terá sono tranquilo e sem interrupção, não vai sofrer de ansiedade, pega o seio tranquilamente e só para suprir a fome, não sente aquela angústia como se o leite da mãe não fosse suficiente para saciá-lo (ZAMBERLAN, 2002). O sono do bebê tem como função promover o que o organismo necessita para crescer forte e saudável (WINNICOTT, 2005)

A criança qual a mãe na gravidez ficou muito ansiosa, nervosa, preocupada e insatisfeita, pode apresentar problemas psíquicos e emocionais pelo fato de que o estresse e ânsia que a mãe sente no período gestacional é transmitido para o bebê (WALLON, 1971). Essa criança, ao nascer, pode apresentar sinais de ansiedade, angústia, ter sono agitado e não ter um desenvolvimento saudável ( STERN, 1992). Estes fatores negativos não devem ser considerados como determinantes na vida da criança. Eles podem ser reparados caso o impacto dos conflitos da mãe não tenham sido muito fortes e com uma relação afetiva que busque reparar os efeitos nocivos das intempéries apresentadas durante a gravidez.

Precisamos então, dedicarmo-nos a repassar bons princípios a todo ser humano desde bebê, para tornar-se um adulto saudável e independente. Estes bons princípios estão ligados a existência da relação afetuosa construída entre a mãe e o bebê (ZAMBERLAN, 2002). A criança interioriza aquilo que é dado a ela em forma de afeto, seja a voz, o toque, o olhar, etc. Sendo assim, caberá à mãe arcar com o papel de tornar o mundo da criança uma fantasia positiva.


No próximo artigo vamos explorar mais a importância do afeto materno no desenvolvimento saudável da criança. Clique aqui e cadastre-se para receber as novidades do site.

Obrigada!

 
Nayara Carmo
Nayara Carmo
Nayara Carmo é Psicóloga, formada pela PUC/GO, especializando em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo Comportamental.

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