03 transtornos psicológicos mais presentes na pandemia em crianças!

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Devido aos relatos de pacientes diagnosticados com insuficiência respiratória em Wuhan, China, no final do ano de 2019, o novo coronavírus se espalhou no mundo todo levando à morte de centenas de pessoas. Tendo em vista a grave situação mundial, o Comitê de Vigilância Internacional para as Doenças Transmissíveis da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou emergência mundial ainda em janeiro, seguido do decreto de pandemia, em março de 2020. Brandão P. (2020). Atualmente podemos verificar na imagem a seguir os reflexos na vida de muitas pessoas. Faz-se de passagem que a maioria dos casos confirmados tiveram recuperação. Com isso, desde então, os transtornos psicológicos na pandemia estão mais presentes em crianças.

No último ano, o novo coronavírus, doença que ainda afeta o mundo, deixou grandes impactos para a saúde física, mas também e não menos importante, deixou marcas na saúde psicológica infantil. Por isso, um estudo realizado na China, com mais de 300 participantes crianças e adolescentes, revelou que a dependência exagerada dos pais e a dificuldade escolar, mediante uma dificuldade de atenção concentrada, são os principais problemas reportados em meio à pandemia. Brandão P. (2020). 

As mudanças imediatas nas rotinas familiares e profissionais, causadas por tais mudanças, desde  o  isolamento  social, podem levar a uma incidência maior de algumas dificuldades neuropsicológicas. Desta forma, foram observadas os transtornos psicológicos na pandemia em crianças neste momento. Sendo elas:

 

  1. Dificuldade de aprendizado e o novo modelo de educação.Dificuldade de aprendizado e o novo modelo de educação.

Devido ao descaso com a educação, agravado pelo passado e mais ainda agora pela adaptação na educação nesta época de pandemia, possui altos níveis de desigualdade e dificuldades no desenvolvimento acadêmico.

Destaque-se também os estudos de James Heckman e Flávio Cunha, que relacionava o rendimento escolar no desenvolvimento cognitivo, antes da pandemia já encontrava dificuldades, uma vez que se percebe como um dos maiores problemas do Brasil. Isso tem sido demonstrado repetidamente neste período. Nos deparamos com os pais em momentos de desestabilidade emocional, além de suas dificuldades acadêmicas. Casella E. Costa J. Percebendo que muitas dificuldades da aprendizagem estão relacionadas a aspectos ambientais e genéticos.

Além da drástica mudança nas rotinas do mundo todo, a realidade dos estudantes não foi diferente com a pandemia. Se adaptar ao novo não é fácil, uma vez que nos parece mais seguro estar na zona de conforto. Justificando a dificuldade de aprendizagem. Então, como podemos ajudar nossos filhos? Uma boa sugestão está em não levar para a punição, pois o choro ou busca de fuga são as formas mais comuns das crianças mostrarem estresse.

Sobre o ponto de vista da neuropsicologia, a aprendizagem é um processo de aquisição, conservação e evocação da informação prestada. Tendo fortes influências pelo cérebro, o ambiente, o aprendiz, o professor, o estado emocional e dentre outros. A partir de uma visão neurobiológica podemos enquadrar aspectos da educação e da saúde.

Então, nos deparamos com a questão de compreender porque algumas crianças têm mais dificuldade em aprender e outras não? É importante salientar que os aspectos comportamentais e emocionais, neste caso focado na aprendizagem, não tem uma relação direta com fatores genéticos. Derrubando por terra o determinismo genético. Assim, nosso processo de aprendizagem está mais influente às nossas ações e emoções do presente. Caballo, V., (1999). Com o novo modelo educacional que teve de ser imposto às pressas, foi percebido uma dificuldade nos pequenos. Podemos ver este tipo de situação através das atitudes de birra, agressividade, agitação, entre outros.

Por mais que orientamos as crianças, podemos nos deparar com aspectos sociais, principalmente se for olhar os prejuízos delas de primeira infância (0 a 6 anos). Devido a estarem em fase de aprender a socializar, precisando de experiências interativas com outras pessoas.

Se este tema te interessou, na próxima semana fique atento, pois falarei mais sobre como ajudar os pequenos nesta fase nova, onde tudo é diferente. E, como fazer para que tal tipo de situação não afete no desenvolvimento educacional e emocional da criança.

 

  1. O declínio da socialização: o medo do outro. O declínio da socialização: o medo do outro.

Para se relacionar bem com as pessoas, as crianças precisam aprender habilidades sociais. Isso significa que os comportamentos ocorrem nas relações com o outro e podem favorecer um convívio saudável. A socialização se inicia em casa, uma vez que os pais são as primeiras pessoas que a criança tem vínculo. Tendo estes como modelo de homem e mulher para o comportamento. Porto P. (2005).

Com as mudanças da pandemia (COVID-19) esse processo de desenvolvimento infantil foi afetando, mudando assim, alguns hábitos e trazendo com isso uma distorção nos aspectos moral, social e intelectual.

Pesquisas mostram que as habilidades sociais são uns dos fatores protetores, uma vez que as pessoas com maior competência reduzem os riscos de alguns problemas psicológicos, como: timidez, fobia social, apego familiar, bullying, depressão, entre outros. Caballo, V., (1999).

 

  1. Pais estressados, crianças estressadas!Pais estressados, crianças estressadas!

Em relacionamentos entre pais e filhos, sempre tem momentos de trocas afetivas, brincadeiras, ensinamentos e recordações que marcam a vida da família. Mas, nessa relação, é preciso refletir muito sobre como os pais podem auxiliar as crianças no cumprimento de hábitos novos e a interpretação psicológica no desenvolvimento destas. 

Entretanto, as contribuições de estudos científicos evidenciam ganhos significativos de intervenção na prática clínica, bem como em treinamentos direcionados a pais para saberem melhor como lidar com os filhos frente às limitações, regras, emoções e relações sociais, seja em casa ou na escola.

Ao deparar na práxis, de intervenção comportamental, pode-se constatar a evidência de comportamentos disfuncionais das crianças e a dificuldade dos pais em lidar com elas. A dificuldade que os pais apresentam e nos trazem, geralmente, não saber lidar, o que falar e agir em determinados momentos e os desejos imediatos da criança, dentre outros. McMahon R. (2007).

Por estas mudanças de parâmetros educativos, pode-se entender como é a dinâmica familiar pelos estilos parentais. Maccoby e Martin (1983) mencionam que os estilos parentais podem ser classificados em dois índices: Responsabilidade (Comunicação e afeto) e exigência (supervisão e controle).

Como os pais, ao aprender diretrizes para a educação, será modelado novos comportamentos em seu filho. Pensando nisso, decidi organizar um processo de orientação gratuito para vocês pai e mãe, sobre os transtornos psicológicos na pandemia mais presentes em crianças. Mas atenção, serão apenas 10 vagas. Por isso, acompanhe as publicações, e logo daremos início às inscrições.

 

Referências bibliográficas:

BECK, Judith S. Terapia Cognitivo Comportamental – Teoria e Prática. Tradução: Sandra Mallmann da Rosa; revisão técnica: Paulo Knapp, Elizabeth Meyer. 2ª edição. Porto Alegre. Artmed, 2013. 

Caballo, V., (1999). O Treinamento de Habilidades Sociais. Em: Caballo, V. (Org). Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento (pp. 361-398). São Paulo: Santos.   

 SIQUEIRA C educação escolar no contexto de pandemia: algumas reflexões. Revista: Gestão & Tecnologia Faculdade Delta Ano IX, V. 1 Edição 30 Jan/Jun 2020

 CANEZIN, Maria Tereza. Introdução à teoria e ao método em ciências sociais e educação. Goiânia: Editora da UCG, 2001

 Porto P. Orientação de pais de crianças com fobia social. Rev. bras.ter. cogn. v.1 n.1 Rio de Janeiro jun. 2005

McMahon R. Treinamento de pais. In: Caballo VE. Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo: Livraria Santos Editora; 2007. Cap. 19, p.399-422.

Ranna W, Okay Y. Grupos de pais de crianças e da equipe multiprofissional e sua influência nas diretrizes da enfermaria geral de um hospital infantil. Rev Pediatr (São Paulo). 1980;2:184-90.

Nayara Carmo
Nayara Carmo
Nayara Carmo é Psicóloga, formada pela PUC/GO, especializando em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo Comportamental.

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